Dispositivos móveis aperfeiçoarão os serviços de saúde pública para a população, diz especialista

jul 15 • Notícias • 535 Views • Comentários desativados em Dispositivos móveis aperfeiçoarão os serviços de saúde pública para a população, diz especialista

A população brasileira está utilizando, cada vez mais, os dispositivos móveis. Seja para negócios, entretenimento ou busca de informações, o uso de smartphones, tablets e dispositivos móveis mudou o cenário de serviços. Os usuários móveis estão mais envolvidos do que aqueles que navegam na web e suas expectativas também são grandes quanto à experiência de consumo. Com isso, prestadores de serviços estão atentos quanto às mudanças dessa nova realidade, situação também percebida pelos gestores governamentais, responsáveis pela prestação de serviços públicos para a população.

Esse foi um dos assuntos abordados pelo coordenador da área temática de Saúde Pública do Projeto Brasília 2060, Vinícius de Araújo Oliveira, mestre em saúde pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em entrevista exclusiva.

Confira:

PB 2060 – O senhor poderia falar como se deu a produção da linha de base e das opções estratégicas na temática da saúde pública realizadas no âmbito do Projeto Brasília 2060? Quais foram os principais resultados desse trabalho e qual a importância de termos esses documentos para a formulação de políticas públicas que repensem o cenário da saúde pública em Brasília?

Vinícius de Araújo – O Projeto Brasília 2060 tem a metodologia de iniciar o planejamento com o diagnóstico da situação. Nós optamos [equipe da área da saúde pública] por fazer uma análise global da situação da saúde no Distrito Federal, na Área Metropolitana de Brasília (AMB), utilizando o conjunto de indicadores básicos da saúde.

Os indicadores da área da saúde têm que ser combinados, demográficos, econômicos, de mortalidade e de usos de serviços de saúde pública, para termos uma visão global do que está acontecendo. Pegamos esses indicadores e montamos uma série histórica dos últimos 15 anos, de forma que pudéssemos identificar grandes tendências nos indicadores de saúde do DF. Na análise desses indicadores nós comparamos a média nacional para entendermos os caminhos diferentes que o DF está seguindo em relação aos outros estados do Brasil.

Quais os principais resultados encontrados em relação a esses indicadores básicos da saúde?

Tivemos alguns achados, que não chegaram a ser surpreendentes, mas que evidenciaram alguns problemas. O DF tem uma renda per capita elevada e, ao mesmo tempo, tem uma desigualdade socioeconômica muito grande. Isso acabou resultando que há indicadores de saúde no DF que não são muito melhores do que o resto do Brasil. Provavelmente, a população que está desassistida puxa os indicadores pra baixo, e nós temos alguns indícios disso. Primeiro que a mortalidade infantil está estabilizada no patamar de 12 por 1.000, isso quer dizer que não tem havido melhora nos últimos dez anos em relação à mortalidade infantil, além disso, a mortalidade materna teve um aumento ao longo desses 10 anos.

São indicadores preocupantes de falta de cobertura de serviços básicos de atenção à saúde. Uma análise superficial mostra indícios que o perfil de internações hospitalares no DF é compatível com populações que não têm boa cobertura e atenção básica. São condições que poderiam ser evitadas com atendimento adequado em unidades básicas de saúde. Essa análise apontou um dado que é compatível com a realidade que a gente observa no DF, de ser um local de cobertura inadequada de serviço básico de saúde. Por meio desse ponto de vista, optamos por fazer o workshop discutindo três eixos temáticos: Gestão, Rede Assistencial e Inovação Tecnológica.

O workshop evidenciou que a saúde do DF tem vários problemas de gestão, entraves a serem superados, desafios relacionados à gestão da cidade. O evento indicou, em relação à rede assistencial, que nós temos que expandir a atenção primária à saúde, ou seja, ter médicos, enfermeiros, agentes comunitários e técnicos de enfermagem nas unidades básicas de saúde garantindo uma atenção com grande capacidade de resolução de problemas. Isso tem que ser feito de forma bastante organizada para garantir uma relação harmônica e eficaz, provendo ao cidadão um serviço de saúde que ele precisa de acordo com a sua necessidade.

Essa rede tem que estar articulada com o restante dos serviços de saúde e, por fim, a inovação tecnológica, eixo no qual foram apontados alguns desafios clássicos que nós temos enfrentado, assim como a capacidade de utilizar a informática, aperfeiçoar processos, dar transparência às informações e para integrar o sistema de informação existente. Além disso, uma observação que apareceu é que também tem sido notado o uso crescente de dispositivos móveis, tablets e celulares, o que acaba sendo uma porta de entrada para a informação no setor da saúde.

Fale um pouco sobre o uso das novas tecnologias na área da saúde.

No workshop foi apontado o celular como um canal de acesso aberto ao conhecimento, com a finalidade de empoderar o usuário do serviço de saúde em relação às suas próprias decisões e à saúde, aos seus riscos, e ao uso adequado dos serviços públicos. Temos um oceano de oportunidades de pesquisa e desenvolvimento. Essas tecnologias seguem o papel fundamental delas, que é o de aumentar o empoderamento dos usuários dos serviços de saúde e a capacidade de resposta da atenção básica. Não é a tecnologia descontextualizada, é a tecnologia como uma ferramenta para aumentar a transparência e eficácia na prestação de serviços de saúde.

Comunicação Social do Projeto Brasília 2060

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